Se tú não sabes mais
em quem devotas confiança,
paciência! É natural o bifurcar.
Olha de onde vens e para onde vais
e, então, assim, avança.
Lembre-se de quem vem contigo,
se também é seu amigo,
se te ofereces a mão,
ou se não tem outra opção
a não lhe ser o umbigo.
É possível que seu repouso
esteja além mar, ou do horizonte,
ou que esteja atrás do monte.
Ali, depois da curva.
E se a vista está turva
nunca estará sua alma,
pois não é a palma que acalma
nem o vinho da uva, nem o caminho da chuva.
Quem era Hera, já era
não é, e nem lhe pode ser mais.
O veneno é a cura da azia
É Eno, dentre outros sais.
Assim, acolha as pedras, todas elas,
que encontrares no seu pesado caminho
e ajunta-lhes num belo vaso,
num desses que, por acaso,
guardas ao longe
e sem olhar os espinhos
plante uma rosa,
como quem batiza um monge.
Escolhe uma dessas filhas da boa semente,
qual cativas no íntimo do seu coração.
Põe na marca, no meio das pedras,
o fruto da sua oração.
Aduba-lhe, cuida-lhe e
lhe mostra o caminho do sol
não vos cabe agruras, máculas,
nem lhe manchar o lençol.
Pelo contrário,
por onde fores,
de quando em quando,
prepara a cama da rosa.
Semeie toda a estrada,
mesmo que pesada for tua cultura,
pois, no fim,
não mostraste só a mim
a sua lisura.
E muito além,
florido estará o caminho das pedras e das Heras,
e quem pensava que colecionavas tropeços
não sabia que era só o começo,
pois, na verdade, tú, jardineira já eras.

São muitas as lições dadas pela natureza sobre a dor trazida pela evolução transformadora.
A borboleta, um ser astral, que antes fora rastejante e pegajoso, teve seu caminho marcado pela clausura do casulo, que, depois de ressecado, foi se avolumando até rachar e dar origem à deslumbrante e fluídica borboleta. Símbolo da transformação.
A semente, abandonada pela mãe árvore, longe da nutritiva seiva. Largada à sorte, muitas vezes no mais árido dos solos, na esperança da piedade celeste enviar chuva. E quando a chuva chega, põe-se a semente nos mais severos testes. Enlameada, afogada, enterrada e aquecida em calor desconfortável para ser transformada em vida novamente, depois de abrir suas entranhas e expor a boa nova.
A águia, que lança seu amado filhote nos mais altos despenhadeiros, aguardando em fé que este tenha o ânimo de seguir seu caminho entre as correntes de ar e que siga representando a avidez de seus antepassados. O filhote, por sua vez, sentido o frio da queda, percebe que precisa bater suas incipientes asas, sabendo que, quanto mais souber dominar seu corpo, mais longe estará de casa e da sua amada mãe.
Os músculos precisam sofrer repetidos estímulos, em sua grande maioria gerando desagradáveis dores que culminam, não raras vezes, com rompimento das suas fibras. A repetição destes atos, dia a dia, transforma o fraco em forte. “No pain, no gain”.
Nem diremos dos mamíferos e o parto.
Não há evolução sem dor.
Entender que o momento do aprendizado se aproxima e que ele exige resignação, entendimento e análise profunda nos coloca numa condição privilegiada diante de experiência terrena. Deus não dá o fardo além do que conseguimos suportar. Assim sabemos que nossos ombros serão dimensionados para a carga que teremos que carregar.
Mesmo cientes de todas as possibilidades nefastas do mundo e imbuídos de todo estudo necessário para evitá-las, ainda assim, não estamos isentos de vivê-las. A vida não é feita só de norte, nem só de sul. Nada dura para sempre. Nem o bom, nem o ruim. Ciclos se sucedem e assumimos diversas posições do seu desenho.
Seria muito estranho, ao reconhecer uma fase ruim, tentar entender qual a mensagem trazida e, de posse desta, aceitar e agradecer pelo aprendizado? Talvez isso soe um tanto quanto masoquista, mas o aprendiz deve saber resignar-se.
A aceitação do fardo e a ressignificação da sua mensagem surge como a vacina dolorosa que antecipa a peste.
“Bem aventurados os aflitos, porque serão consolados”.
“Deus não nos dá o que queremos, mas o que precisamos”.

São 12 passos. Cada um deles um mês. Juntos: um ano. Ano a ano, uma vida. Uma.
Os percalços são muitos. O corpo cansa, a mente esgota-se. A gravidade pesa, a coluna enverga. O corpo para e, então, senta; depois deita, enfim dorme. O tempo passa, vai-se a graça, quem acorda não vê o que se viu. Não sentiu. Não viveu.
Os sacrifícios estão com quem vai em frente. Este não é um tipo demente de ver a vida. É entender a partida como o princípio da jornada. É olhar a chegada, mais nada. É olhar além. É ver alguém quem será, quando lá chegar.
O estar é um lapso prorrogável por quanto se quer. Se se agrada do tempo de agora, prorroga-se. Se se deseja o novo, encurta-se.
Existem aqueles que não viram, não veem, portanto não verão nem primavera, nem outono, nem mesmo o abandono em que se deram. Não quiseram e a carruagem passou. A luz apagou e o povo sumiu.
O que é um sonho, senão uma vontade enorme em se alcançar um novo patamar, noutro degrau acima. Isso é para quem se inclina e olha além. É para quem não se detém e se deixa ir, para quem quiser fluir e não se fazer de refém.
São muitas as obras do coração puro. Elas têm portas, portão, não têm muro, mas têm paredes. Nelas, se ancoram o vento e também as redes para o repouso dos justos. Lá estão os exemplos deixados, tesouros mapeados, embaixo de arbustos.
Só sabe quem viu, quem conheceu, quem fez. Pois, este fez do seu mês um passo. Ele suportou o amasso de todas as horas, ele plantou amoras onde o cego ignora.
Para quem quer, não há muito, nem pouco. Ele não se cobra. Ele já viu, por de lá do morro, onde está a sua obra.

Quem vai tocar o silêncio?
Quem vai prover o acorde?
Quem vai ombrear o comando
nas horas duras da morte?
A vida é um sopro,
mas para alguns é muito mais,
é a repetição desses mesmos
nesse tempo fugaz.
Quem vê o discreto destaque
refletindo os raios do sol,
soprando o vento, num suave bemol,
sequer imagina
que a simplicidade mora lá,
pois, é quando se abre a cortina
e a tropa começa a cantar
que o incrédulo refina:
“É! O sabiá, sabia, assoviar!”
As palavras convencem.
Os exemplos arrastam.
Tudo a Deus pertence.
Elogios não bastam.
Os vãos vazios do som
ficarão, ainda, mais silentes.
Pois, tú foste com o dom
e deixaste a bandeira carente.
Corneteiro,
tua rima não é outra.
Tua rima é “bombeiro”.
Homenagem ao 2° Tenente RR Jeter Souto Rodrigues, eterno corneteiro das tropas bombeiro militar, que faleceu na manhã do dia 24 de outubro de 2020, em consequência de um infarto, no dia em que se comemora o desfile cívico-militar em homenagem ao aniversário de Goiânia.
Homem nobre, militar trabalhador. Bom exemplo de vida.
Existem combatentes, para os quais, sol e lua se confundem.
Eles têm a fé na missão, por princípio, e a honra como valor.
Sabem que o dia afamado chegará e que deverão estar prontos.
Por isso se preparam, dia após dia, todos os dias, disciplinadamente.
Conduzidos por Deus e guiados pelo exemplo, nada temerão.
Farão jus aos seus mestres.
Carregarão o brasão da família no coração e se lembrarão dela incessantemente.
Saberão que o ambiente tem graça e perigo.
Eles conhecem o campo de batalha, estudaram seus detalhes mais profundos.
Estiveram lá diversas vezes.
Contornarão os obstáculos e avançarão com respeito.
Cuidarão dos seus equipamentos como armas de Hefesto.
Guerreiros e guerra se confundem!
Diversas vezes precisarão de ajuda.
Com os olhos fixos na linha da vida, também enxergarão o futuro.
Caminharão de mãos dadas com a humildade.
Muitas vezes o cansaço e a dor se apresentarão diante deles, mas não lhes faltará forças para sorrir e repetir tudo outra vez.
Estarão isolados, distantes e até inacessíveis, porém nunca sozinhos.
Ao seu lado estarão irmãos que professam a mesma fé e que morreriam por eles, se preciso fosse.
Descerão e subirão os mais diferentes relevos, sempre com a mesma cautela.
Na cabeça, números, vida, segurança serão uma só mescla.
E, após o bom combate, reerguidos da fonte da juventude darão o pronto.
Seus irmãos saberão que obtiveram êxito pelo simples olhar.
Nada os felicitará, mais do que o sorriso da sociedade, ou sua silente gratidão, mesmo que lacrimosa.
E, se ela assim não agir, eles entenderão, pois conhecem a face humana, como conhecem a si próprios.
Sorrirão, agradecerão e se prontificarão para recomeçar.
Esses combatentes são os MERGULHADORES.


“Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. Este enunciado é bastante conhecido, principalmente entre os pessimistas.
Essa premissa surgiu com os estudos do engenheiro espacial capitão Edward A. Murphy, nos idos de 1949. Murphy pretendia medir o impacto da gravidade nos seres humanos e saber quantos “G” (unidades de força gravitacional) um piloto suportava em caso de acidente.
Tal experiência consistia na colocação de 16 acelerômetros em várias partes do corpo de uma pessoa (cobaia), o que foi realizado. Todavia, os contadores foram afixados de forma errada, impossibilitando a realização da experiência.
O capitão Edward Murphy, irritado pelo erro acontecido, teria dito que “se existirem duas ou mais formas de se fazer uma tarefa, e uma delas puder provocar um erro, alguém irá adotá-la”.
O mantra pessimista vem acompanhando os segmentos desmotivados da sociedade e adotou diversas vertentes, até a chegada da sua grande máxima, base para todas as demais: “se existir alguma chance de algo dar errado, certamente dará”. Outras versões muito conhecidas da mesma diretriz: “a fila ao lado sempre anda mais rápido”; “o pão sempre cai com o lado da manteiga para baixo”; “você sempre acha algo no último lugar que procura”.
A lei de Murphy não trata de probabilidades matemáticas, mas do reconhecimento da máxima sobre o mau humor do Universo; sobre a sensação de que o Universo “quer” a todo custo que tudo dê errado.
Além disso, embora inadequada, é comum a confusão entre a Lei de Murphy e a Teoria do Caos.
A Teoria do Caos está pautada no efeito dominó que foi iniciado por uma ação acarretando inúmeros resultados. Pelo seu advento se abrem inúmeras possibilidades a partir de um único feito. Estas possibilidades podem ser positivas, ou negativas.
A Lei de Murphy está ancorada na negatividade do dia a dia, que, por sua vez, baseia-se na falha, no erro.
Embora Murphy tenha cedido o nome para esse alinhamento ideológico, existiram outras expressões semelhantes anteriormente ao seu advento.
Em 1877, Alfred Holt, ao se pronunciar sobre navios a vapor durante uma reunião de engenheiros civis em Londres, disse o seguinte: “verifica-se que qualquer coisa que pode dar errado no mar geralmente dá errado mais cedo ou mais tarde”.
Em 1908, em artigo da revista The Magic Circular, um boletim direcionado para mágicos, o ilusionista inglês Nevile Maskelyne escreve o seguinte: “é uma experiência comum a todos os homens descobrir que, em uma ocasião especial, tal qual a produção de um efeito mágico pela primeira vez em público, tudo o que pode dar errado dará errado”.
Essa forma de ver o mundo pode ser interpretada como uma forma negativa de encarar os fatos cotidianos. Noutro viés, ela também afirma, mesmo indiretamente, que erros existem e podem acontecer se não forem detectados a tempo e se não forem tomados os devidos cuidados necessários para evitá-los, ou minimizá-los, antes de se iniciar um projeto.
Ora, se existem duas opções a escolher, entendendo-se que a chance de cada uma delas se concretizar é de 50%, é preciso se cercar de cuidados para que a escolha ideal alcance êxito.
Refletindo sobre o trânsito, por exemplo, é possível concluir que, pelo menos dois fatores nos direcionam na escolha da pista mais lenta.
O primeiro fator se refere a nossa percepção cognitiva. Para o nosso cérebro, a sensação de sermos ultrapassados é mais densa e representativa do que a de ultrapassarmos outros veículos. Portanto, mesmo se estivéssemos trafegando pela via mais rápida, dificilmente perceberíamos isso.
O segundo fator cinge-se em pura questão objetiva de probabilidade. Se estivermos trafegando em uma pista tripla, a chance de nos encontrarmos numa pista mais lenta é de 66,66%. É a constante alternância de pistas, fruto da análise continuada do motorista, que favorecerá uma variação de posição, alternando nas pistas, de mais lenta para mais rápida.
A boa e velha dualidade da vida nos impõe o pensamento de que sempre há, pelo menos, dois caminhos a seguir; duas opções; duas escolhas. A falha é, portanto, filha da insegurança, seja ela sistêmica ou pontual, posto que “o acidente acontece onde a prevenção falha”. Já o sucesso é fruto do planejamento realístico, da análise pormenorizada das variáveis factuais, com implemento das medidas necessárias para o seu alcance.
Desta forma, a opção pela segurança deve estar concebida no planejamento, desde o seu início, sendo ela meta a ser buscada e não bônus por mérito alcançado.
O planejamento de segurança deve compreender o plano para dar certo, ou seja, a previsão da realização de todas as ações de forma correta e preventiva, mantendo sua essência proativa; e também tem que abarcar o plano para o caso de não dar certo, que precisa contemplar as medidas necessárias de serem tomadas no caso de falhas, ou acidentes, e que possui características reativas e mitigadoras.
A possibilidade do erro abre margem para a ampliação do plano de segurança. Noutro viés, a inconsistência avaliativa, mensurada de forma ineficiente em relação ao apanhado factual, eleva as condições de incertezas a ponto de se tornarem barreiras à evolução humana em todos os seus patamares.
Desta forma podemos dizer que a Lei de Murphy oferece efeitos positivos. Afinal, como afirma Nassim Nicholas Taleb na obra “Arriscando a Própria Pele (Skin in The Game)”:“se você quer o lado positivo das coisas, você também precisa estar hábil para ver o lado negativo delas”.

Muitos de vocês (os da década de 80, com certeza) já devem ter ouvido a belíssima canção SOL DE PRIMAVERA, de autoria de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.
Para quem não se lembra, aqui está a letra:
SOL DE PRIMAVERA
Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez
Já sonhamos muito
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do teu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do teu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Só nos resta aprender
O poema musicalizado remete à novidade que setembro traz com a brota do bom plantio. Eleva o pensamento sobre as sementes outrora lançadas que, agora, espera-se vê-las transformadas ao emergirem do solo.
A ideia gira em torno dos sonhos passados e lágrimas abandonadas que, enxergadas sementes, doravante trazem esperança. A esperança iluminada pelo sol de setembro.
Pois, para o poeta compositor, ou para o compositor poeta, é certo que setembro trará boas novas e que nele se fará colheita.
Só colhe quem planta.
Quantas sementes lacrimais e grãos de devaneios estão reservados em nossas mãos, por não lhes vislumbrarmos brotas? O que houve? Não se faz mais limonada com os limões?
Há aqueles que plantam lágrimas, sonhos e colhem perdão. Tudo feito pelo caminho, lançado ao vento, como quem não quer nada além de plantar, como quem faz com a mão direita e nada espera da esquerda.
Há aqueles que aguardam a semente selecionada, purificada e ensacada nas melhores condições climáticas e assépticas. Aguardam a sorte, mas não fazem a sorte. Marcam o encontro, mas não vão. Falsa esperança!
Pelo caminho muitos se perdem, mas está no intento, mesmo que poético, de se criar na positividade, o segredo da colheita futura. “Dança como se ninguém estivesse te olhando”. Faça o que tem que fazer. Faça!
O desafio está na transformação de tudo aquilo que avilta e depõe contra si em boa semente, em gérmen de árvore frondosa e frutífera.
Porém, há algo mais interessante, ainda, na proposição intelectual do compositor. O que esperar do mês de setembro que, em grande parte do país, detém os maiores índices de incêndios florestais, devastações e infortúnios ambientais; época mais seca do ano, auge das características desfolhadas do outono?
Aí está a mágica! As folhas caem todos os anos, mas as árvores ficam. O outono representa a resiliência. É na crise que as boas sementes brotam pois, assim, dizem que vieram para ficar. São resultados, não promessas, de ações passadas e de esperança.
Mesmo que se diga: “não chove mais em setembro como antigamente”, nem sempre isso foi verdade. Os setembros podem mudar e nós também podemos.
O mundo dá aulas contundentes todos os dias e, mesmo assim, só os observadores mais atentos conseguem perceber. “Abre as janelas do teu peito”.
O que te falta sonhar? Nisso, é preciso crescer a voz, pois, como diz o poeta: “a lição sabemos de cor”. Agora, “só nos resta aprender”.
Fio a fio,
trama à trama,
amarrado na cama,
pela corda de couro.
A de amarrar no pelouro
pelas mãos do calhorda.
A corda, a corda.
Acorda!
Dormindo o sono profundo
nem o arrombo do mundo
fará que desperte.
Vai! Levanta-te!
Mostra a cara pra rua,
limpa a beleza nua
e lhe mostra outra veste.
Sem ar, sem vida
com a cabeça dolorida
de tanto ver, ouvir e sofrer.
Vais parar de beber
pra se lembrar de amanhã,
vais se deitar no divã
e dizer, dizer, dizer:
que esse dia vai passar,
que a luz há de brilhar
onde já viu fenecer.
Estarás de pé nesse dia
empunhando a ordem tardia
que nunca há de faltar.
Os seus ângulos retos,
quais sustentam esse teto,
vão lhe arquitetar.
Saberás que não há diferente,
nem do povo, nem da gente
que sua e sofre.
Todos carregam na mente
um passado valente
e a pureza no cofre.
Nem do sul, nem do norte,
nem fraco, nem forte,
nem plano, nem sorte,
nem liberdade, nem morte.
Nós!
Só Nós!
Só Nós atados a Nós
numa única voz.
Para ecoar nas paredes,
puir a malha das redes
nesse tempo atroz.
Nem amarelo, nem vermelho,
nem preto, nem branco,
nem rosa, nem bege,
nem o arco celeste.
Nós!
Só Nós!
Só Nós unidos a vós
para uma única foz.
Para gastar a caneta,
a tinta, a letra
e construir nosso alfoz.
Nem nada, nem tudo,
nem o hálito mudo
do homem de bem
dirá solução.
Desfaça o laço,
embainha o aço,
estenda o braço,
e aperta a outra mão.
#Sawabona!
#Shikoba!


Pai!
Monossílaba complexa
que, mesmo pequena, expressa
muito do muito que há.
A ti foi dada a semente,
pois, és homem prudente
para lhe poder guardar.
Do seu caminhar eu surgi,
quando puseste ali,
na boa terra, o sonho do fruto.
É por isso que sigo
no caminho do figo
a oferecer usufruto.
Na fundação da minha vida
és raiz, és viga,
que muitas vezes não vi.
Mas, minhas paredes concretas
crescem discretas
nas montanhas que saem de ti.
Meu velho!
Sua humildade me diz
que não precisa verniz
para se terminar uma obra;
que Deus só quer a virtude
do vaso mais rude
e nenhuma outra prova.
Seu silêncio audível,
companheiro de todas as horas,
me diz em constância,
em total relevância,
que sempre haverá outra aurora;
que espera que eu me levante,
que eu seja infante
e não esmoreça jamais.
Pois a vida é dura, eu sei
e jamais reclamarei
por vós serdes meu pai.
Pai!
Desejo de muitos, gozo de poucos!
Eu lhe quero de espelho,
não me chame de louco.
Sou só seu fedelho,
Que cresceu pouco a pouco.
Pai!
Se, por acaso, eu não te merecer;
se for perjuro e não lhe dignificar,
não me tenha por mal.
Tú estás em todos os caminhos,
és a base do meu ninho
és o meu Santo Graal!
Pai!
Palavra que Deus ainda rascunha,
tão importante, tão importante,
que se deu por alcunha.
OLÁ!
VOCÊ ESTÁ NO CANAL DE COMUNICAÇÃO ENTRE RISCOS E RISOS.
ESTAMOS CONSTRUINDO UM ESPAÇO DE IDEIAS, DISCUSSÕES E, SOBRETUDO, DE REFLEXÕES SOBRE A VIDA E SEU SIGNIFICADO. SOBRE SUPERAÇÃO, RESILIÊNCIA, SEGURANÇA E QUALIDADE DE VIDA.
TODOS NÓS VIVEMOS CIRCUNDADOS POR SITUAÇÕES EXTREMAS, RISCOS, PERIGOS E DECISÕES, QUE NOS COLOCAM NA CONDIÇÃO DE ESCOLHERMOS CAMINHOS, QUE, EM SUA MAIORIA, IMPLICAM EM RENÚNCIAS.
A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS! É O QUE FAZEMOS O TEMPO TODO.
NEM POR ISSO É RUIM!
SEMPRE HAVERÁ UM CAMINHO, UM NOVO HORIZONTE POR DETRÁS DAS MONTANHAS! CUMPRE A NÓS PERSEGUI-LO CONSTANTEMENTE.
É O CAMINHO E NÃO A CHEGADA, QUE NOS POSSIBILITA SERMOS QUEM SOMOS E QUEM SEREMOS.
O PROBLEMA É APENAS PARTE DA SOLUÇÃO E O INÍCIO DO APRENDIZADO.
QUEREMOS FERTILIZAR A RESILIÊNCIA QUE HÁ EM CADA UM DE NÓS E ESTIMULAR O POTENCIAL DIVINO EXISTENTE NO SER HUMANO.
SEJA MUITO BEM-VINDO!
VOCÊ ESTÁ ENTRE RISCOS E RISOS!
Em tempos de UFC, com batalhas titânicas, é impossível não acompanhar a festa das arenas. Quem não rangia os dentes a cada esquiva do Anderson Silva, ou contraia o punho ao ver os socos do Júnior Cigano?
Nós somos fãs de lutas. Isso nos acompanha desde os primórdios existenciais. Sempre lutamos e até a presença de inimigos nos fez crescer.
Mas, nenhuma luta é mais conhecida que a do Homem X Chronos. De todos os adversários do homem o mais atroz é o deus Chronos – o Tempo. Deus imprescindível, porém implacável; presente em tudo, mas não para todos. É dele o dom de tudo saber e na boa e velha arte da guerra “aquele que conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas”.
Chronos conhece bem seu rival e sabe que ele se ilude, que nunca será divino pois seu sangue é vermelho, cor da tragédia… não azul, nem dourado.
Reza a lenda, que certa vez o homem quis desafiar Chronos. Logo o pobre homem, simples número de registro. Queria ser deus! Queria fazer tudo! Queria se valer dos dons da onipresença, da onisciência e da onipotência – esse último tido como o coelho da cartola, a fórmula da coca-cola, o “Hadouken” do Street Fighter.
O homem, ansiosamente, golpeou primeiro. Bateu duas vezes o cartão de ponto na firma, realizou operações aritméticas, foi ao banco, amou a mulher, educou seus filhos, passeou com o cachorro, comprou no supermercado, estudou, planejou o futuro, leu seus e-mails, orou e, por fim, pensou. Tudo no mesmo dia!
Chronos atordoou-se e indagou: “o homem multiplicou-se?”
Contudo o homem deixou aberta a guarda e o poderoso deus do tempo não perdoaria tal falha. Desregulou-lhe o relógio do coração, que mudou o tictaquear conhecido, descompassando-se. Então ironizou: “esqueceu-se de se manter saudável. Sucumbiu-se à ansiedade. Estressou-se. Não se aliou a mim, por isso sempre lhe derrotarei.”
O homem, enquanto caia rumo ao sono eterno, viu sua vida inteira passar diante de seus olhos, anos e anos, como num flash. Atingiu assim seu objetivo?
Chronos não mais existiu àquele homem.
A narrativa acima só teria um final feliz se o homem se valesse do tempo como seu aliado, entretanto este não lhe permite mais tal aliança.
Atualmente, a maioria dos problemas ligados ao estresse reside na falta de tempo. O trabalho tem exigido dedicação direta, indireta e global. Estamos interligados em redes, portamos celulares funcionais, desconhecemos o fim da jornada de trabalho, trabalhamos todo o tempo. Não nos desligamos.
Pesquisas da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil) apontaram que apenas 24% dos brasileiros se sentem realizados profissionalmente e que 70% da população brasileira economicamente ativa está estressada. Estimadamente o prejuízo suportado pelo PIB do país é de 3,5%, haja vista faltas, licenças médicas, gastos com saúde, e o presenteísmo (que se dá quando a pessoa está fisicamente no local, mas alheia ao que faz). Segundo a Previdência Social o afastamento por estresse cresceu 28% no primeiro semestre desse ano em relação ao mesmo período de 2010.
O estresse profissional está, quase sempre, aliado ao fato dos trabalhadores terem princípios diferentes dos seguidos pela empresa, suportarem sobrecarga de trabalho, estarem descontentes com a remuneração percebida ou por estarem desempenhando atividades fora da sua área de atuação. Todo esse contexto contribui para o que “o trabalhador só se sinta junto a si fora do trabalho e fora de si no trabalho. Sente-se em casa quando não trabalha e quando trabalha não se sente em casa. O seu trabalho não é, portanto, voluntário, mas compulsório, trabalho forçado. Por conseguinte, não é a satisfação de uma necessidade, mas somente um meio para satisfazer necessidades fora dele”, como disse Karl Marx no passado.
Talvez o amor fosse a saída. Afinal, “o amor tudo constrói”, “somente o amor cura a ferida”. Procure amar aquilo que fizer. Procure realização profissional, não salário. Procure uma profissão, não um emprego. Procure-se. Encontre-se. E não se esqueça: cuide de sua saúde física e mental.
Afinal, Chronos não perdoa.