Existe vida além dos riscos.

Pai!
Monossílaba complexa
que, mesmo pequena, expressa
muito do muito que há.
A ti foi dada a semente,
pois, és homem prudente
para lhe poder guardar.
Do seu caminhar eu surgi,
quando puseste ali,
na boa terra, o sonho do fruto.
É por isso que sigo
no caminho do figo
a oferecer usufruto.
Na fundação da minha vida
és raiz, és viga,
que muitas vezes não vi.
Mas, minhas paredes concretas
crescem discretas
nas montanhas que saem de ti.
Meu velho!
Sua humildade me diz
que não precisa verniz
para se terminar uma obra;
que Deus só quer a virtude
do vaso mais rude
e nenhuma outra prova.
Seu silêncio audível,
companheiro de todas as horas,
me diz em constância,
em total relevância,
que sempre haverá outra aurora;
que espera que eu me levante,
que eu seja infante
e não esmoreça jamais.
Pois a vida é dura, eu sei
e jamais reclamarei
por vós serdes meu pai.
Pai!
Desejo de muitos, gozo de poucos!
Eu lhe quero de espelho,
não me chame de louco.
Sou só seu fedelho,
Que cresceu pouco a pouco.
Pai!
Se, por acaso, eu não te merecer;
se for perjuro e não lhe dignificar,
não me tenha por mal.
Tú estás em todos os caminhos,
és a base do meu ninho
és o meu Santo Graal!
Pai!
Palavra que Deus ainda rascunha,
tão importante, tão importante,
que se deu por alcunha.