Existe vida além dos riscos.
Fio a fio,
trama à trama,
amarrado na cama,
pela corda de couro.
A de amarrar no pelouro
pelas mãos do calhorda.
A corda, a corda.
Acorda!
Dormindo o sono profundo
nem o arrombo do mundo
fará que desperte.
Vai! Levanta-te!
Mostra a cara pra rua,
limpa a beleza nua
e lhe mostra outra veste.
Sem ar, sem vida
com a cabeça dolorida
de tanto ver, ouvir e sofrer.
Vais parar de beber
pra se lembrar de amanhã,
vais se deitar no divã
e dizer, dizer, dizer:
que esse dia vai passar,
que a luz há de brilhar
onde já viu fenecer.
Estarás de pé nesse dia
empunhando a ordem tardia
que nunca há de faltar.
Os seus ângulos retos,
quais sustentam esse teto,
vão lhe arquitetar.
Saberás que não há diferente,
nem do povo, nem da gente
que sua e sofre.
Todos carregam na mente
um passado valente
e a pureza no cofre.
Nem do sul, nem do norte,
nem fraco, nem forte,
nem plano, nem sorte,
nem liberdade, nem morte.
Nós!
Só Nós!
Só Nós atados a Nós
numa única voz.
Para ecoar nas paredes,
puir a malha das redes
nesse tempo atroz.
Nem amarelo, nem vermelho,
nem preto, nem branco,
nem rosa, nem bege,
nem o arco celeste.
Nós!
Só Nós!
Só Nós unidos a vós
para uma única foz.
Para gastar a caneta,
a tinta, a letra
e construir nosso alfoz.
Nem nada, nem tudo,
nem o hálito mudo
do homem de bem
dirá solução.
Desfaça o laço,
embainha o aço,
estenda o braço,
e aperta a outra mão.
#Sawabona!
#Shikoba!
