Existe vida além dos riscos.

Muitos de vocês (os da década de 80, com certeza) já devem ter ouvido a belíssima canção SOL DE PRIMAVERA, de autoria de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.
Para quem não se lembra, aqui está a letra:
SOL DE PRIMAVERA
Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez
Já sonhamos muito
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do teu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do teu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Só nos resta aprender
O poema musicalizado remete à novidade que setembro traz com a brota do bom plantio. Eleva o pensamento sobre as sementes outrora lançadas que, agora, espera-se vê-las transformadas ao emergirem do solo.
A ideia gira em torno dos sonhos passados e lágrimas abandonadas que, enxergadas sementes, doravante trazem esperança. A esperança iluminada pelo sol de setembro.
Pois, para o poeta compositor, ou para o compositor poeta, é certo que setembro trará boas novas e que nele se fará colheita.
Só colhe quem planta.
Quantas sementes lacrimais e grãos de devaneios estão reservados em nossas mãos, por não lhes vislumbrarmos brotas? O que houve? Não se faz mais limonada com os limões?
Há aqueles que plantam lágrimas, sonhos e colhem perdão. Tudo feito pelo caminho, lançado ao vento, como quem não quer nada além de plantar, como quem faz com a mão direita e nada espera da esquerda.
Há aqueles que aguardam a semente selecionada, purificada e ensacada nas melhores condições climáticas e assépticas. Aguardam a sorte, mas não fazem a sorte. Marcam o encontro, mas não vão. Falsa esperança!
Pelo caminho muitos se perdem, mas está no intento, mesmo que poético, de se criar na positividade, o segredo da colheita futura. “Dança como se ninguém estivesse te olhando”. Faça o que tem que fazer. Faça!
O desafio está na transformação de tudo aquilo que avilta e depõe contra si em boa semente, em gérmen de árvore frondosa e frutífera.
Porém, há algo mais interessante, ainda, na proposição intelectual do compositor. O que esperar do mês de setembro que, em grande parte do país, detém os maiores índices de incêndios florestais, devastações e infortúnios ambientais; época mais seca do ano, auge das características desfolhadas do outono?
Aí está a mágica! As folhas caem todos os anos, mas as árvores ficam. O outono representa a resiliência. É na crise que as boas sementes brotam pois, assim, dizem que vieram para ficar. São resultados, não promessas, de ações passadas e de esperança.
Mesmo que se diga: “não chove mais em setembro como antigamente”, nem sempre isso foi verdade. Os setembros podem mudar e nós também podemos.
O mundo dá aulas contundentes todos os dias e, mesmo assim, só os observadores mais atentos conseguem perceber. “Abre as janelas do teu peito”.
O que te falta sonhar? Nisso, é preciso crescer a voz, pois, como diz o poeta: “a lição sabemos de cor”. Agora, “só nos resta aprender”.