A OBRA

São 12 passos. Cada um deles um mês. Juntos: um ano. Ano a ano, uma vida. Uma.

Os percalços são muitos. O corpo cansa, a mente esgota-se. A gravidade pesa, a coluna enverga. O corpo para e, então, senta; depois deita, enfim dorme. O tempo passa, vai-se a graça, quem acorda não vê o que se viu. Não sentiu. Não viveu.

Os sacrifícios estão com quem vai em frente. Este não é um tipo demente de ver a vida. É entender a partida como o princípio da jornada. É olhar a chegada, mais nada. É olhar além. É ver alguém quem será, quando lá chegar.

O estar é um lapso prorrogável por quanto se quer. Se se agrada do tempo de agora, prorroga-se. Se se deseja o novo, encurta-se.

Existem aqueles que não viram, não veem, portanto não verão nem primavera, nem outono, nem mesmo o abandono em que se deram. Não quiseram e a carruagem passou. A luz apagou e o povo sumiu.

O que é um sonho, senão uma vontade enorme em se alcançar um novo patamar, noutro degrau acima. Isso é para quem se inclina e olha além. É para quem não se detém e se deixa ir, para quem quiser fluir e não se fazer de refém.

São muitas as obras do coração puro. Elas têm portas, portão, não têm muro, mas têm paredes. Nelas, se ancoram o vento e também as redes para o repouso dos justos. Lá estão os exemplos deixados, tesouros mapeados, embaixo de arbustos.

Só sabe quem viu, quem conheceu, quem fez. Pois, este fez do seu mês um passo. Ele suportou o amasso de todas as horas, ele plantou amoras onde o cego ignora.

Para quem quer, não há muito, nem pouco. Ele não se cobra. Ele já viu, por de lá do morro, onde está a sua obra.

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